Quando se acorda em uma cidade cinzenta como São Paulo em muma manhã de outono, a primeira coisa que me vem à cabeça é que o dia de domingo é sempre um tédio e se você não abrir sua caixa de lápis de cor rapidamente vai ficar estampada(o) na prisão de uma alguma moldura craquelada.
Saio então para minha varanda e ouço o silêncio peculiar de um dia "morto". Olho nas esquinas e vejo a pobreza de passos, calçadas solitárias e ruas orfãs. Até aí tudo bem porque numa metrópole como esta até que é reconfortante a calmaria. Mas mesmo assim, desenho no ar gestos e modelos e os contorno com meu giz de cera multicor e vou quebrando o gelo da quietude.
Os domingos aqui em casa tem sempre uma hóspede chata, de olhos sonolentos e corpo andarilho com ou sem velocidade. Ou seja ela se arrasta pela casa e eu tropeço nela o dia todo, a não ser se eu a tranque a sete chaves e resolvo pintar o sete nas vielas e parques da cidade.
Eu só sei que outonos voam entre a boca de ventania levantando restos de clorofila e fios de néctar para o outro lado do mundo.
Eu só sei que o sol é mero convidado entre os dias enferrujados, permeados por um verde desbotado e um quase céu, com pequenas esquadrias de azul, enquanto em algum fim de tarde alguém
nos contempla com um guarda chuva vermelho no banco da pracinha.
Outono é aquela estação com esboço carrancudo de boca franzida com testa enrugada. Sorte que a cor de seus cabelos (ainda) exibem um avermelhado que cantarola o alvorecer de algum ipê grávido aqui, outro ali e canteiros ralinhos ainda se exibem sob a garoa fina e fria de suas tardes gris.
E se tivermos sorte podemos (ainda) ver um por de sol longínquo no copo do horizonte, que mistura suco de laranja com destilados numa dança ice entre uma folha morta e uma crisálida.
by Lu C.






