Tenho percebido ao longo de minha trajetória literária que as pessoas apreciadoras do surreal ocupam um pequeno lugar no espaço. Não sei bem o porquê, mas é o que acontece.
Tenho algumas conclusões particulares pra explicar ( a mim mesma) o que as assusta nesse tipo de literatura. Seria o não entendimento? Seria a mistura indigesta dos personagens, situações, espaço/tempo? Ainda estou descobrindo. Seria ainda a página em branco que eu deixo ao leitor para que ele a escreva e chegue a uma conclusão satisfatória para o entendimento?
Meu estilo literário sempre correu por meandros mágicos, ilusórios, futuristas e utópicos. Gosto desses caminhos, porque o autor é liberto e tem uma visão além do que imagina soltando toda e qualquer amarra. Ele cria, rabisca, desenha, apaga, mata, recria, revive, transforma, aproveita nacos e rastros de personagens falidos, criando uma espécie de "Frankenstein" vitaminado e pronto pra outra.
Na saga da Sinhazinha em especial foi exatamente isso que ocorreu. Ela é uma personagem metamórfica , assim como o Cajueiro e o Novelo de Lã, porque dependendo da ocasião elas revivem em tempo/espaço, de modo que podem refletir suas múltiplas faces.
Tenho muitos contos e pequenas prosas que revelam esse estilo, justamente porque eu aprecio deixar reticências para que o leitor desenvolva sua imaginação ao ler. Essa é a verdadeira magia da leitura, podem acreditar. Água com açúcar não é comigo!!
A saga da Sinhazinha tem uma conotação jocosa, lúdica, exótica e por vezes assustadoramente fora do lugar comum. Criar historinhas comuns, não faz meu gênero, a não ser que o conteúdo tenha uma sobrecarga emocional que leve às lágrimas e/ou a disparar o coração do leitor, fazendo-o cativo.
Talvez por essas e por outras que a literatura surreal atinja um público alvo bem minúsculo, já que há gostos diversos ( sorte a nossa).
Tento ser romântica dizendo muito no pouco, isso eu treinei e construí muitos poeminis, onde a imagem é matéria prima de grande valor.
Por vezes escrevo críticas à exploração do ser humano e toda sua pobreza interior, embora sejam seres ricos em suas estruturas, mas falta a visão de humanidade.
Por vezes escrevo críticas à exploração do ser humano e toda sua pobreza interior, embora sejam seres ricos em suas estruturas, mas falta a visão de humanidade.
Falando um pouco sobre os títulos de meus trabalhos:
Gosto dos inusitados, tipo aqueles que nada tem a ver (de cara) com o texto em si, e sim provocando uma surpresa ao leitor quando ele procura pelo título. Ele dever ser sugestivo, pluralista , diversificado e principalmente envolvente.
Gosto dos inusitados, tipo aqueles que nada tem a ver (de cara) com o texto em si, e sim provocando uma surpresa ao leitor quando ele procura pelo título. Ele dever ser sugestivo, pluralista , diversificado e principalmente envolvente.
Enfim, os gêneros literários estão aí, discursando suas verves infinitamente gloriosas no sentido de abordar as diferenças individuais
Somos seres diversos, românticos, surreais, mal humorados, felizes, deprimidos, perdidos e só, na multidão de humanidades.
Somos seres diversos, românticos, surreais, mal humorados, felizes, deprimidos, perdidos e só, na multidão de humanidades.
* Saga da Sinhazinha encontra-se na íntegra nesse link
Lu Cavichioli

Oi Lu, bem interessante esta analise critica da criação e em particular a literatura surreal.Ainda não tinha atinando nestas possibilidades, chamou minha atenção. Quando fala de permitir ao leitor a criação, penso que esta deveria ser a condição e com certeza ao longo de muitas leituras, gosto quando entro pelo texto e vou recriando as situações e buscando a descobrir o que o outro quis passar.
ResponderExcluirQuero ver o link.
Abraços amiga e que seu fim de semana seja maravilhoso.
Beijo.
Lu, qualquer que seja o caminho que percorre em sua escrita, ele é belo.
ResponderExcluirO surreal nem sempre foge muito do real (rss). E é encantador. Bjs.
MUITAS VEZES NO SURREAL ME ENCONTRO, PQ NELE EU POSSO DAR O MEU ENRREDO QUE QUISER, ENTENDO COMO QUERO E NÃO COMO QUEREM QUE EU ENTENDA. E TUDO O QUE ESCREVE EU AMO. BJS
ResponderExcluirÉ tudo tão estranho quanto misterioso naquilo que refere-se, ao meu pensar, sobre o gosto literário. Sinto haver, entre nós brasileiros, enorme carência de leitura. Daí fica ainda mais complicado averiguar sobre o tal do gosto literário.
ResponderExcluirCadinho RoCo
Sub-real depende muito da imaginação do leitor. Por isso tem público limitado.
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ResponderExcluirOi, Lu,
O surrealismo, em 1924, através do poeta André Bretton, em Paris, propunha aos artistas e escritores a manifestarem seus pensamentos de uma maneira livre, espontânea e irracional; que deixassem as manifestações do subconsciente aflorarem, sem qualquer interferência de reflexão intelectual, por mais absurdas e ilógicas que pudessem ser. O subconsciente é o marco do surrealismo.
Então, o Movimento Surrealista não só se interessou pela arte pictórica, mas pela poesia, literatura e política. O conto dá muita liberdade para o leitor terminá-lo, nunca é claro, certinho. Sempre deixa um suspense e uma maior liberdade.
Ótimo você ter levantado isso, uma vez que o conto sempre surpreende.
Grande beijo, gostei muito!